Humanin

Diferentemente da maioria dos peptídeos desta coleção, a Humanin NÃO é uma molécula sintética criada em laboratório — ela é um peptídeo natural que o próprio corpo produz dentro das mitocôndrias. Foi descoberta "por acidente" quando pesquisadores procuravam genes que protegessem os neurônios contra o Alzheimer. A versão usada em pesquisas é uma cópia sintética idêntica ao peptídeo natural. Descoberta em 2001 por uma equipe japonesa liderada por Ikuo Nishimoto e Takako Niikura, na Keio University (Tóquio, Japão). Os pesquisadores estavam tentando entender por que alguns neurônios sobrevivem ao Alzheimer enquanto outros morrem. Usando uma técnica chamada "death trap", encontraram um gene que produzia um peptídeo de 24 aminoácidos capaz de bloquear a morte neuronal — e o chamaram de Humanin.

A Humanin NÃO é um medicamento aprovado. Nunca foi testada em ensaios clínicos de Fase 3. Estudos clínicos existentes são observacionais (medindo níveis de Humanin no sangue como biomarcador). É vendida exclusivamente como "produto químico de pesquisa" no mercado cinza. No entanto, análogos mais potentes como o HNG (S14G-Humanin) estão em estágios pré-clínicos avançados de desenvolvimento. A Humanin é uma molécula versátil que se liga a múltiplos receptores. Na superfície das células, ela ativa: (1) o receptor FPRL1 (FPR2), que é um receptor do sistema imunológico, e (2) um complexo de três proteínas (CNTFR/WSX-1/gp130) que normalmente é ativado por fatores de crescimento neuronal. Dentro das células, ela se liga diretamente a proteínas como Bax (impedindo a morte celular) e IGFBP-3 (modulando o metabolismo). A Humanin não se encaixa em uma classificação simples. Ela pode ser agonista de STAT3 via complexo CNTFR/gp130, antagonista competitivo de Aβ42 no FPRL1, e inibidor direto de Bax. É um modulador pleiotrópico que atua em múltiplos alvos.

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